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A inovação tecnológica não é a política
Portugal é, hoje, um país mais bem apetrechado tecnologicamente do que há uma década; em algumas áreas, até está à frente a nível mundial, como seja, por exemplo, ao nível das infra-estruturas (via-verde ou a rede de Multibanco). Ora, isso não invalida que tenhamos das auto-estradas mais caras da Europa ou dos bancos que mais serviços cobram aos utilizadores com menos despesas.
As novas tecnologias fazem todo o sentido como instrumento de desenvolvimento, sempre projectadas para a melhor repartição da riqueza. Este objectivo deve nortear as politicas dos estados, especialmente dos países governados por partidos de Esquerda (caso de Portugal). Politicas essas de redistribuição da riqueza, reafirmadas, e bem, por um ministro venezuelano à chegada a Lisboa.
Sinto que as novas tecnologias, até hoje, têm servido, fundamentalmente, os interesses dos mais poderosos (como a fuga de capitais para «paraísos fiscais», sem deixar rasto) ou para cobrar mais por um serviço (com menos gastos em mão-de-obra). Não podemos, por conseguinte, negar que as desigualdades no mundo acentuaram-se em simultâneo com a evolução tecnológica.
Apesar de tudo, não me esqueço que sem ela não podia ter enviado este texto para o Jornal via correio electrónico, nem corrigi-lo automaticamente. Sem ela, não teríamos tido a oportunidade de saber das escutas a que foi sujeito o sucateiro Godinho, que continuaria por aí, provavelmente, a comprar lebre por gato.
A tecnologia pode servir para muita coisa, depende da utilidade que a sociedade lhe der. Convirá os políticos não trocarem a leitura de Karl Marx ou de Engels pelas «bocas» do Facebook ou do Twitter, pois aquela pode dar sentido a estas.
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